Tristes jornalistas
de um jornalismo imensamente triste.
Na recente visita á Venezuela, a rádio noticiou, apenas uma (única) vez, a deslocação da comitiva oficial numa visita ao Orinoco, naquilo que foi um muitíssimo original – voo de helicóptero.
Acontece que no origial helicóptero, cuja lotação seria de 14 passageiros, se tinham instalado, crê-se que pelo método de sanduíche, e á força de ninguém querer ficar em terra, 34 ilustres viajantes, incluindo o primeiro-ministro e os ministros da comitiva, entre outros.
Não se conhecendo as secretas razões que levam tanta gente a alegremente gostar de querer sentar-se ao colo de outra gente, fica-se na dúvida se aquilo que parece ter sido uma completa falta de senso tenha antes sido excesso de confiança nas capacidades da aeronave, não se poder perder o eventualmente raro espectáculo oferecido por Chavez, ou qualquer outra razão desconhecida até este momento.
Em todo o caso, e recusando desde já pensamentos eventualmente menos pudicos, parece poder afastar-se a possibilidade do aconchego ministerial se ter ficado a dever a uma súbita baixa de temperatura, pois a Venezuela é sempre um lugar bastante quente, onde não há frio que alguém necessite de contrariar, mesmo sendo ministro de Portugal, e muito menos tendo que fazê-lo sentando-se no colo de outrem, mormente, presume-se, dentro do mesmo género na biodiversidade.
Isso é que persiste em não se compreender.
A não ser que aquele quentinho improvável tenha nascido da necessidade compensatória para a proibição do uso do fumo – a bordo de aeronaves.
Neste caso, os fumadores devem temer as consequências sociais de se vir a descobrir que um certo calor nas costas poderá equivaler, por exemplo, a três ou quatro Marlboros. Com tanto local onde não se permite fumar, era só o que faltava acontecer.
Depois de tudo, continua a não se saber por que razão se calaram os jornalistas, sobre esta viagem tão especial.
As mordaças continuam a existir. As mordaças e, obviamente, a falta de hortaliça.
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